quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Já dizia o outro...

Venho hoje contar uma estória que me veio à memória recentemente, depois de um curioso incidente ocorrido durante a meiahoradealmoço!

Começo por recuar no tempo, altura pela qual a minha avózinha, que já não se encontra entre nós (digamos que mudou de repartição!) me confidenciou, (infelizmente para ela) que tinha nojo de encontrar cabelos na comida. Tudo o resto impressionava-a pouco "mas um cabelo...Ai isso não! Isso não consigo!".

Por esse dias ainda a TV transmitia grandes películas, e num desses momentos de deleite televisivo, eis que passa o filme "karaté kid" (aquele do daniel-san, do mestre myagi, wax-on wax-off e etc-e-tal!!). Findo o filme, já eu me encontrava de pauzinhos chineses na mão, com a missiva de capturar as moscas que na altura andavam aos bandos lá por casa*

*tínhamos um cão que ainda não se tinha habituado a fazer tudo no devido lugar mas, como o meu pai tinha cancelado a assinatura do "Insólito", já não havia jornal com que arrear no cão e, apanhar balanço suficiente para acertar no cão com a 8ª edição do dicionário da Porto Editora dava-me preguiça!! Assim, os odores mantinham-se por casa por mais tempo que o habitual e com ele vinham as muitas moscas!

Dessa jornada de apanha-moscas com palitos de comer galinha-com-amêndoas, talento que cedo percebi não ter, capturei cerca de 3 moscas (digo cerca porque não costumo contabilizar moscas quando não se consegue definir a zona da cabeça ou quando os membros ficam colados aos vidros!). Pasmado com o sucesso desta moscaria, veio-me à cabeça (sem querer ferir susceptibilidades dos artropodes lesados!) que podia fazer mais uma das minhas experiências (sou da área de humanísticas por isso o meu método nem sempre é parecido ao mais "comum", mas é tido como válido entre vários amigos que tenho nos A.A.).

Desta vez consistia em colocar estrategicamente 1 das cerca de 3 moscas no prato de sopa da minha avó! (acrescentei uma unha que cortei in loco para a manter fresca, e uma moeda de 10 centavos que tinha encontrado debaixo da cama durante essa tarde!).

A refeição decorreu com a habitual tranquilidade, e entre a conversa à mesa, era admirável a destreza com que a velhinha retirava da boca os elementos estranhos ao seu cozinhado, sem sinal de incómodo algum!!
Simulando ter escutado um ruído vindo do armário onde se guardam as escovas de dentes usadas, obriguei-a a levantar-se da mesa para ir ver o que seria (era normal encontrar o cão empoleirado por essas bandas armado em "menino que mija para a fonte" lá do alto do armário!).
Entretanto, com um cabelo pronto desde o pequeno almoço para atirar para o meio da sopa, pu-lo encostado ao beiral do prato, sem tocar no conteúdo (porco mas não tanto!) e esperei que ela voltasse!

"Não era o ca$#!o do cão! Deve ter sido uma aragem!" dizia a minha avó pelo caminho de volta à mesa!

De colher novamente empunhada, o olhar fixo no feijão e já com a placa novamente no copo, eis que surge um grito de horror: "UM CABELO!!!"
Largou a colher e disse: "Pronto! Fiquei sem apetite!"

Voltando agora ao início: há dias aconteceu o mesmo com outra futura avózinha. Desta vez não era na sopa, mas lá estava um fio de alguma coisa! Podia ser um cabelo, um pêlo, podia ser um fio de lã ou fibra da própria embalagem, mas a semelhança com esse artigo de nojo que até pode vir do próprio enojado, foi o suficiente para nem sequer se abrir a embalagem onde se encontrava uma das melhores sobremesas alguma vez degustadas!

... mariquices!!!

1 comentário:

  1. Se fosse viva, a tua avó dava-te mas é dois açoites!!! Sim, porque tu não és do tempo em que as pessoas só tomavam banho uma vez por semana (quando tomavam!), de preferência, a seguir ao cumprimento das obrigações matrimoniais ao domingo de manhã, que era para terem o que confessar na missa desse dia! De modos que, na província, aquelas tranças, bem espremidinhas, ainda davam para fritar uns peixinhos-da-horta!

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