quinta-feira, 17 de novembro de 2011

mistela

Ironia do destino quando o título que define este pasquim (que promete), se dá num dia em que meia hora não é suficiente para se chegar ao mísero tabuleiro que suporta o repasto a que ousamos chamar de almoço! Mas adiante, que isso importa pouco para o caso!

Perguntou-me há tempos alguém quanto tempo tinha eu para almoçar, sendo eu Funcionário Público! Respondi: "8 horas, mas se não me chegar posso sempre fazer horas extra porque tu e a tua família me pagam essas horas a mais!!"
Fim da conversa!!

A verdade é que, independentemente do vínculo que se tenha à FP (para já é apenas abreviatura de Função Pública!) 30 minutos é o tempo que nos é dado para ingurgitar!
"É possível?!" Boa pergunta!
É!
Fiz uma vez a experiência (nos tempos em que as úlceras ainda não eram nervosas!)! A receita é simples mas exige mestria:
Tudo começa por ir completamente só (por vários motivos que mais tarde explico!). Contando que do local de trabalho até ao local de serventia de mistelas são 5 minutos queimados! Ida-e-volta e já só temos 20 minutos para o que interessa!! Será que dá tempo ou é melhor voltar para trás e apostar nas bolachas que o colega de trabalho trouxe para o lanche?! A resposta não deve ser dada de ânimo leve e nem sempre o colega traz bolachas!
20 minutos em contagem decrescente e ainda não cheguei à caixa para pagar (podia sempre saltar esta parte e evitar o tempo perdido à procura de trocos, mas nem sempre funciona e nesta experiência não me podia dar ao luxo de perder tempo a explicar que julgava que o estranho que ia à minha frente tinha pago o meu!)

Sentado, é tempo de avaliar o passo crítico: a gestão dos elementos do tabuleiro!
A melhor alternativa (já experimentei várias!) é misturar o café, a bebida e a sobremesa na tijela da sopa (convém escolher sobremesas mais liquidas ou mal refrigeradas para não perder tempo a triturar!) e ter o cigarro aceso para se dar umas passas entre garfadas bem abonadas do prato principal!
O espectáculo nem sempre agrada a quem partilhe a mesa e por isso volto a frisar a conveniência de se ir sozinho! A segunda vantagem da solidão é não se perder tempo com conversa fiada! meia hora não dá para tecer comentários sobre o tempo e a crise por isso o melhor é centrar todas as atenções em manter a boca cheia e a aguentar o reflexo de bolsar tudo!! (às vezes acontece!).

Finda a refeição e o cigarro, não convém NADA ir entregar o tabuleiro! Que o faça alguém que já tenha almoçado e esteja a cumprir as restantes horas de trabalho que sobram!
Resta agora acelerar o passo ou, se der, correr ligeiramente depressa mas sem muitos sobressaltos (bolsar ainda é um ponto crítico!). Se tudo tiver corrido bem, só passaram 31 minutos e quase ninguém deu pelo atraso!!

Espero ter sido útil e desejo-vos boas experiências nas próximas meiashorasdealmoço!!!

2 comentários:

  1. Comecemos com a expressão “colega de trabalho”: caríssimo, colegas são as pu###, que por sua vez, nunca deram maus conselhos às mulheres honradas; depois, lanche de “bolachas”, é um lanche de meninos, que é como quem diz, que são todos aqueles que lancham de sande de courato para baixo; depois, o café na gestão de elementos no tabuleiro é pura ficção porque, das duas, uma: se tem tabuleirinho, não tem direito a cafezinho; se tem cafezinho, é porque foi ao lado riquinho da serventia das mistelas e não tem tabuleirinho; ter o cigarro aceso durante a refeição, é uma incorrecção gritante, porque ou o meu amigo reciclou este texto de alguma sua experiência passada, ou o meu amigo anda em drogas poderosas pois, relembro-lhe, que a lei anti-tabaco remonta a 2008, pelo que esta descrição, não reflete, de todo, o real malabarismo de sobreviver com meia hora de almoço!
    Mais rigor, por favor. Mais rigor!

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  2. Compreendo que a expressão "colega" lhe traga más recordações, e por esse facto peço à colega que me perdoe! Não foi intencional!
    Quanto às bolachinhas: na medida em que não são minhas (recorde-se a origem desse repasto ligeiro, típico das tombolas que são as carteiras femininas: "bolachas que o colega de trabalho trouxe"), não me parece adequada a acusação de que sou alvo. Sandes de courato já eu como ao pequeno almoço e quando acordo a meio da noite com alguma larica.
    Quanto ao café no tabuleiro, recordo-lhe que não é preciso ser-se riquinho para se ter acesso à máquina de café que se encontra nas imediações onde os meus camaradas pobres partilham o momento angustiante de comer!
    Termino com uma dúvida: como pode ser que alguém com tantos preconceitos relativamente às colegas e aos lanchinhos de bolachinhas, se sinta tão impedida de fumar só porque a lei não permite!? Tenho por hábito evitar fumar enquanto como porque acabo por espalhar cinza por todo o lado e porque, já por diversas vezes fiquei com o isqueiro estragado à custa da sopa onde ele frequentemente cai, mas se a situação o exige, fumo onde me dá na gana!!

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