Embora a expressão pareça saída de um dos pensamentos do Paixão, o Pedro, ou de algum romance policial intricado do Graham Greene, não foi. Estava estatelada no painel de informação do tempo de espera dos autocarros da Carris. No dia da Greve Geral. Ou quase Geral, como lhe quiseram chamar.
Mas pareceu-me frase digna de ser recordada neste pasquim (direitos de autor do fulano x). Ainda mais, porque define lindamente a prestação do serviço por parte do “local” onde se almoça e se recolhe dados para analisar aqui. Exemplificando com uma ementa concreta. Ora vejamos:
- uma sopa não é difícil de preparar: cozem-se batatas, cebola, abóbora, cenoura, e umas verduras à escolha; se não se quer ter demasiado trabalho, deixa-se cozer até à exaustão e é só passar tudo no final, transformando-se num delicioso creme; para os mais pacientes, cozem-se as verduras depois de passar o creme, e transforma-se numa bela sopa de legumes; pois… mas há quem consiga a proeza de passar batatas cruas ou transformar pedaços de feijão-verde em tarolos de madeira!;
- se é possível dar um aspecto pior à tradicional açorda… é; o problema que se coloca é que, normalmente, quanto pior é o aspecto da açorda, em qualquer ponto do país mas, principalmente, no Alentejo, melhor é o sabor; na nossa hora do almoço, perdão, MEIA hora de almoço, conseguiram a proeza de inverter esta relação: se parece bost#, provavelmente sabe a bost#; não sabemos ao certo porque não provamos, mas assistimos aos esgares manhosos dos compinchas do infortúnio da mesa do lado;
- para os pseudo-armados-em-intelectuais-ou-vegetarianos, temos como opção uma pizza vegetariana, onde o único vegetal que se come é… milho enlatado, acompanhado de uma espécie de massa que pretende copiar massa de pizza, queimada;
- dentro do rol à escolha de sobremesas, desde a maçã assada ao arroz-doce, tem que se concordar que a gelatina, seria a opção mais segura ou menos invasiva, certo? Errado! Porque a gelatina costuma deixar a língua de cor radioactiva e a sensação de inchaço-na-garganta-quero-uma-injecção-de-adrenalina-e-é-já!;
Mas já chega de bater no ceguinho. Eu até nem me posso queixar muito. Fazem os mixes que eu quiser. E gosto muito do empadão de atum. E da pizza de milho. É como diz o outro: “o que é preciso é amor e pizzas!”. Cheers, Jota!
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Já dizia o outro...
Venho hoje contar uma estória que me veio à memória recentemente, depois de um curioso incidente ocorrido durante a meiahoradealmoço!
Começo por recuar no tempo, altura pela qual a minha avózinha, que já não se encontra entre nós (digamos que mudou de repartição!) me confidenciou, (infelizmente para ela) que tinha nojo de encontrar cabelos na comida. Tudo o resto impressionava-a pouco "mas um cabelo...Ai isso não! Isso não consigo!".
Por esse dias ainda a TV transmitia grandes películas, e num desses momentos de deleite televisivo, eis que passa o filme "karaté kid" (aquele do daniel-san, do mestre myagi, wax-on wax-off e etc-e-tal!!). Findo o filme, já eu me encontrava de pauzinhos chineses na mão, com a missiva de capturar as moscas que na altura andavam aos bandos lá por casa*
*tínhamos um cão que ainda não se tinha habituado a fazer tudo no devido lugar mas, como o meu pai tinha cancelado a assinatura do "Insólito", já não havia jornal com que arrear no cão e, apanhar balanço suficiente para acertar no cão com a 8ª edição do dicionário da Porto Editora dava-me preguiça!! Assim, os odores mantinham-se por casa por mais tempo que o habitual e com ele vinham as muitas moscas!
Dessa jornada de apanha-moscas com palitos de comer galinha-com-amêndoas, talento que cedo percebi não ter, capturei cerca de 3 moscas (digo cerca porque não costumo contabilizar moscas quando não se consegue definir a zona da cabeça ou quando os membros ficam colados aos vidros!). Pasmado com o sucesso desta moscaria, veio-me à cabeça (sem querer ferir susceptibilidades dos artropodes lesados!) que podia fazer mais uma das minhas experiências (sou da área de humanísticas por isso o meu método nem sempre é parecido ao mais "comum", mas é tido como válido entre vários amigos que tenho nos A.A.).
Desta vez consistia em colocar estrategicamente 1 das cerca de 3 moscas no prato de sopa da minha avó! (acrescentei uma unha que cortei in loco para a manter fresca, e uma moeda de 10 centavos que tinha encontrado debaixo da cama durante essa tarde!).
A refeição decorreu com a habitual tranquilidade, e entre a conversa à mesa, era admirável a destreza com que a velhinha retirava da boca os elementos estranhos ao seu cozinhado, sem sinal de incómodo algum!!
Simulando ter escutado um ruído vindo do armário onde se guardam as escovas de dentes usadas, obriguei-a a levantar-se da mesa para ir ver o que seria (era normal encontrar o cão empoleirado por essas bandas armado em "menino que mija para a fonte" lá do alto do armário!).
Entretanto, com um cabelo pronto desde o pequeno almoço para atirar para o meio da sopa, pu-lo encostado ao beiral do prato, sem tocar no conteúdo (porco mas não tanto!) e esperei que ela voltasse!
"Não era o ca$#!o do cão! Deve ter sido uma aragem!" dizia a minha avó pelo caminho de volta à mesa!
De colher novamente empunhada, o olhar fixo no feijão e já com a placa novamente no copo, eis que surge um grito de horror: "UM CABELO!!!"
Largou a colher e disse: "Pronto! Fiquei sem apetite!"
Voltando agora ao início: há dias aconteceu o mesmo com outra futura avózinha. Desta vez não era na sopa, mas lá estava um fio de alguma coisa! Podia ser um cabelo, um pêlo, podia ser um fio de lã ou fibra da própria embalagem, mas a semelhança com esse artigo de nojo que até pode vir do próprio enojado, foi o suficiente para nem sequer se abrir a embalagem onde se encontrava uma das melhores sobremesas alguma vez degustadas!
... mariquices!!!
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Palavras que se comem
Há coisas que não devem ser ditas. Nem ser pensadas, quanto mais comidas! E nestes trinta minutos de almoço, não só se dizem, como se pensam e se comem. Ora aí está.
E hoje foi daqueles dias em que de tudo um pouco se passou: desde o engasganço com a piada do pseudo-aparelho-auditivo da old boss, ao objecto não identificado no suposto pudim de chocolate. E quem diz que por se ser simpático, há quem não goste de nós? Então querem lá ver?! Por se ser simpático, não há quem não goste de nós! Foi um lapso, um trocadilho, com certeza.
Amanhã conto a história da Miss A., a minha favorita. E o nome é fictício. A pedido de muitas famílias. E pronto.
E hoje foi daqueles dias em que de tudo um pouco se passou: desde o engasganço com a piada do pseudo-aparelho-auditivo da old boss, ao objecto não identificado no suposto pudim de chocolate. E quem diz que por se ser simpático, há quem não goste de nós? Então querem lá ver?! Por se ser simpático, não há quem não goste de nós! Foi um lapso, um trocadilho, com certeza.
Amanhã conto a história da Miss A., a minha favorita. E o nome é fictício. A pedido de muitas famílias. E pronto.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
mistela
Ironia do destino quando o título que define este pasquim (que promete), se dá num dia em que meia hora não é suficiente para se chegar ao mísero tabuleiro que suporta o repasto a que ousamos chamar de almoço! Mas adiante, que isso importa pouco para o caso!
Perguntou-me há tempos alguém quanto tempo tinha eu para almoçar, sendo eu Funcionário Público! Respondi: "8 horas, mas se não me chegar posso sempre fazer horas extra porque tu e a tua família me pagam essas horas a mais!!"
Fim da conversa!!
A verdade é que, independentemente do vínculo que se tenha à FP (para já é apenas abreviatura de Função Pública!) 30 minutos é o tempo que nos é dado para ingurgitar!
"É possível?!" Boa pergunta!
É!
Fiz uma vez a experiência (nos tempos em que as úlceras ainda não eram nervosas!)! A receita é simples mas exige mestria:
Tudo começa por ir completamente só (por vários motivos que mais tarde explico!). Contando que do local de trabalho até ao local de serventia de mistelas são 5 minutos queimados! Ida-e-volta e já só temos 20 minutos para o que interessa!! Será que dá tempo ou é melhor voltar para trás e apostar nas bolachas que o colega de trabalho trouxe para o lanche?! A resposta não deve ser dada de ânimo leve e nem sempre o colega traz bolachas!
20 minutos em contagem decrescente e ainda não cheguei à caixa para pagar (podia sempre saltar esta parte e evitar o tempo perdido à procura de trocos, mas nem sempre funciona e nesta experiência não me podia dar ao luxo de perder tempo a explicar que julgava que o estranho que ia à minha frente tinha pago o meu!)
Sentado, é tempo de avaliar o passo crítico: a gestão dos elementos do tabuleiro!
A melhor alternativa (já experimentei várias!) é misturar o café, a bebida e a sobremesa na tijela da sopa (convém escolher sobremesas mais liquidas ou mal refrigeradas para não perder tempo a triturar!) e ter o cigarro aceso para se dar umas passas entre garfadas bem abonadas do prato principal!
O espectáculo nem sempre agrada a quem partilhe a mesa e por isso volto a frisar a conveniência de se ir sozinho! A segunda vantagem da solidão é não se perder tempo com conversa fiada! meia hora não dá para tecer comentários sobre o tempo e a crise por isso o melhor é centrar todas as atenções em manter a boca cheia e a aguentar o reflexo de bolsar tudo!! (às vezes acontece!).
Finda a refeição e o cigarro, não convém NADA ir entregar o tabuleiro! Que o faça alguém que já tenha almoçado e esteja a cumprir as restantes horas de trabalho que sobram!
Resta agora acelerar o passo ou, se der, correr ligeiramente depressa mas sem muitos sobressaltos (bolsar ainda é um ponto crítico!). Se tudo tiver corrido bem, só passaram 31 minutos e quase ninguém deu pelo atraso!!
Espero ter sido útil e desejo-vos boas experiências nas próximas meiashorasdealmoço!!!
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